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Crianças da Lua Nova se conectam com a infância irlandesa

Num evento único em todo o mundo, o dia 16 de junho, na Irlanda, é dedicado ao personagem de um livro. O Bloomsday homenageia o Leopold Bloom, protagonista do livro Ulisses, de James Joyce. Nesse dia, como parte do projeto Crianças de aqui, dali e acolá, os alunos da Lua Nova tiveram a oportunidade de conhecer de perto essa cultura. Por meio de miniaulas e conferência via Skype crianças do 2° ano e crianças da Shellybanks Educate Togheter, em Dublin, na Irlanda, conheceram a cultura umas das outras.

O projeto Crianças de aqui, dali e acolá propõe uma investigação sobre a infância em diferentes partes do mundo: o que se aproxima e o que diferencia das crianças brasileiras. Enquanto na Irlanda os fãs da literatura se vestiam como no livro, percorrendo os caminhos de Leopold, os alunos da Lua Nova estavam aqui em Salvador conversando sobre os costumes das crianças irlandesas.

Em função do projeto da Lua Nova, foi elaborado, na Shellybanks Educate Togheter, uma miniaula onde foram abordados os costumes e lendas celtas sobre os “leprechauns” [Figura mitológica do folclore irlandês, apresentado como um diminuto homenzinho] e seus potes de ouro no fim do arco-íris; sobre os vikings; o antigo rei da Irlanda e sua harpa; e os guerreiros e batalhas.

 

“Já que a história foi escrita por homens, tratamos de encontrar imagens de meninas guerreiras - para não ficarem só no lugar das fadas. E uma menina da escola logo concluiu lindamente: então é melhor ser menina, porque além de fada a gente pode ser guerreira também? (Isso! - a professora aqui ficou feliz)”, conta Mari Fioreli, mãe de um dos alunos do 2° ano da Escola Lua Nova, que durante nove meses, período em que finalizava um doutorado em educação (FACED – UFBa), estabeleceu as conexões necessárias para o encontro entre crianças dessas duas culturas.

O encontro

Crianças de 6 e 7 anos estiveram frente a frente, se olhando, face a face, tela a tela, via câmera e telão. No Brasil, os meninos e meninas gritavam fascinados a cada apresentação de nome das crianças irlandesas. Daqui, perguntavam se andavam de bicicleta, ou se estava frio lá… De Lá, fascinados, as crianças perguntavam questões simples - mas muito importantes: “que tipo de frutas vocês comem aí? Tem florestas aí perto? Que animais tem na floresta?”

“Daqui, sentimos uma certa timidez por conta da língua. Mesmo eu traduzindo acho que as crianças ficaram com medo de falar. Mas, melhor que as palavras, foram os olhares curiosos e intensos das crianças - estar lá e cá, em conexão! Pensamos e vivenciamos, assim, as possibilidades e potencialidades reais das redes”, conta Mari Fioreli.

Mari e as crianças festejaram a possibilidade oferecida pela tecnologia na educação das crianças. “Em que momento das nossas vidas escolares pudemos ver e conversar com crianças de outras partes do mundo? Isso era coisa de livro, de televisão - que não permitiam nenhum tipo de interação. Agora, em tempos de cibercultura, nós podemos. As crianças podem. Naquele momento de conexão, estas crianças extrapolaram os limites físicos-geográficos que distanciam Salvador de Dublin - romperam as paredes da caverna. E aprenderam, cresceram e criaram conhecimento de uma maneira, até então, única”, celebra. 

A oportunidade

A ideia e as possibilidades surgiram a partir de um doutorado sanduíche de Mari Fioreli. Ela se mudou para o país europeu a fim de cumprir uma das etapas da sua aventura acadêmica pessoal. Nesse tipo de programa o estudante tem a chance de fazer parte do seu curso de doutorado em outra instituição brasileira ou internacional

“Tivemos a oportunidade de morar em Dublin por alguns meses. Lá, o Bernardo [seu filho], então com seis anos, frequentou uma escola primária. A Educação Infantil lá tem, como pode-se imaginar, muitas diferenças, mas também algumas proximidades em relação à nossa”, conta Mari.

Ela relata, ainda, que a maioria das escolas de Dublin, mesmo as públicas, são religiosas - católicas ou protestantes. E que exigem o uso de uniformes tradicionais. “O Bernardo perguntava porque na Irlanda as crianças tão pequenas já trabalhavam - referindo-se ao uso de gravatas e roupas sociais dos meninos. E as meninas usam aquelas saias com meias até o joelho”.

Para melhor adaptação do filho, ela foi em busca de um modelo escolar menos tradicional, e chegou às chamadas escolas Educate Together, que fogem deste padrão, não possuem orientação religiosa e nem uniformes – “próximo do modelo que tínhamos aqui no Brasil. Só existem 12 escolas destas com educação primária em Dublin!”.

Bem recebidos pela Shellybanks Educate Together, cujo horário de aula, rotina e os costumes eram outros, além da língua ser um desafio para seu filho que, “não entendia inglês, mas se destacou no dificílimo, quase impossível irlandês, que é ensinado nas escolas. ‘Mamãe? como se diz queijo em inglês?’ Cheese. ‘Ah! então eu sei falar em irlandês’ (e falava algo incompreensível para mim)”.